domingo, 22 de julho de 2018

Tirava o último

“Os Maias” são demasiado explícitos na chacota do pardieiro em que vivemos, o que naturalmente aborrece os donos do pardieiro e os leva a preferir autores “humanistas” como Manuel Alegre, as senhoras da colecção “Uma Aventura” e aquele mãe com minúscula.

Alberto Gonçalves, Observador

sábado, 21 de julho de 2018

Não é que, agora, estão surpreendidos com os roubos em Pedrógão?

Não tenho dons de adivinho. Apenas me limito a pensar pela minha cabeça, a filtrar as notícias com longas leituras e a não ver novelas à noite.

Em 29 de Junho de 2017, aqui, escrevi isto:

Tomando como exemplo o recente incêndio em Pedrógão, se fosse tudo organizado não teria havido incêndio ou, pelo menos, não seria tão grave; se não houvesse incêndio não teriam trabalhado os helicópteros e aviões: dos amigos; não precisaríamos de um sistema (SIRESP) que não funcionou mas que foi comprado: aos amigos; não se faria um concurso para a aquisição das viaturas dos bombeiros que arderam que vão ser vendidas, adivinhem: pelos amigos; não seria preciso reflorestar a floresta pelas empresas dos amigos; as telecomunicações e a electricidade não seriam repostas pelas empresas: dos amigos, que já foram vendidas a preço de amigo e que têm de justificar as gratificações que deram: aos amigos; não eram constituídas comissões que vão analisar no terreno o que se passou, com pessoas que irão ser pagas a peso de ouro, pessoas que são: os amigos. Telejornais, Directos das Televisões, Concertos Solidários, Linhas de Apoio, Comissões Parlamentares não teriam existido. 
Resumindo: as vidas humanas pouco importam, para a generalidade dos políticos o que interessam são os interesses dos amigos. Por isso, a minha revolta...
Ainda pensei que os artistas que participaram no concerto solidário, com o tempo de antena que tiveram, falassem sobre estes assuntos, botassem a boca no trombone, que os desmascarassem, que dissessem alto e bom som que nunca mais pode acontecer uma situações destas, que vidas humanas não têm preço, mas, se calhar, também são amigos... 

Em 19 de Julho de 2018

"O Presidente quer conhecer o destino dos donativos para Pedrógão Grande. Marcelo Rebelo de Sousa disse que os "portugueses não podem ficar com dúvidas" sobre o que aconteceu ao dinheiro doado para a reconstrução depois dos incêndios.

O Ministério Público abriu um inquérito para investigar o alegado desvio de meio milhão de euros de donativos destinados a casas de primeira habitação e que terão sido utilizados em casas não prioritárias.

RTP

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Em portugal é ao contrário

"Centenas de experiências mostram que encontros com pessoas mal-educadas, insultuosas e humilhantes enfraquecem o desempenho dos outros incluindo a sua capacidade de tomar decisões, a sua produtividade, criatividade e disponibilidade para trabalharem um pouco mais e ficarem até mais tarde para terminar um projeto e para ajudar colegas de trabalho que necessitam dos seus conselhos, ajuda ou apoio emocional."

Como sobreviver a um filho da p*ta, Robert Sutton 

Infelizmente, a boa educação e a urbanidade vão a um qualquer serviço público português (Finanças, Câmaras Municipais, Escolas, Hospitais, Forças de Segurança, Tribunais, Segurança Socia, ...) resolver problemas 1, 2, 3, 4 vezes e: nada resolvem.

A má educação e a brutalidade vão lá só 1 vez e: resolvem tudo.

O autor tem de visitar o nosso país e vivenciar as famosas "Conquistas de Abril".

Escrito por um homem. Sentido por outro.

"Um instinto maternal, sabe como é com as mulheres: queimamos os sutiãs, mas não nos livramos das mamas. Continuamos a sentir vontade de proteger os homens. E Deus sabe como eles precisam."

A boneca de kokoschka, Afonso Cruz

terça-feira, 17 de julho de 2018

Saudade

Quando chegava a casa,
O meu Piruças trazia sempre a sua língua de ternura,
E tocava em todos os sinos da festa,
Até eu lhe por a mão que, para ele,
Era o meu coração.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Sapiens

Choro muitas vezes
Das vezes em que não me ri,
Quando o devia ter feito,
Por vergonha.
Acreditei que o riso fosse
Uma provocação, um abismo.
Uma negação do infinito,
Que está escrito.
Das vezes em que,
Alienado, não me ri,
Dos disparates que faço...
Das palavras que não controlo,
Que podem ser grandes e pequenas,
Em sentido,
Sofrido,
Como o que tenho vivido.
Das vezes em que me esqueço
Que sou um pormenor
Do tempo e do espaço
E que alguém,
Superior,
Ominisciente e Omnipresente,
Brinca comigo.
Me dá a luz.
Me faz acreditar que sou,
O que não sou.
Me chama, quando quer.
Como um carteiro, 
Que toca à campainha,
Abruptamente.
E que se diverte,
Com um humor pueril,
A ver-me repudiar a minha condição
Da forma menos honesta e menos colorida,
Como a terra é comida.
Das vezes em que,
Como se eu fosse uma marioneta,
Com os fios atados aos dedos,
Me move e me faz entrar e sair de cena,
A seu bel-prazer.
Das vezes em que, sem razão aparente,
Me pesa os sentimentos,
Me envelhece em passado, 
Me subtrai em bondade,
E me faz respirar
O ar frio com pulmões de
Verdade: nua, crua, dura, sua,
E rasga o futuro
Com mãos de veludo
Até ao início
Da festa.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Cartas de amor, quem...

"Um dia seremos capazes de perceber como é que uma coisa finita encerra coisas infinitas e como é que, por exemplo, um coração tão dedicado como o meu, tão pequeno, tão cheio de artérias e sofrimento, pode conter coisas tão compridas como o amor."

A boneca de kokoschka, Afonso Cruz

Mais uma da saga: a ficção está a tornar-se o parente pobre da realidade.

"Suspeito de esfaqueamento não tem braços Sem-abrigo detido por crime que parece impossível."

CM Jornal

Más línguas.

Quando escrevi "a ficção começa a ser o parente pobre da realidade", estava a referir-me, entre muitas outras situações, a isto:


quarta-feira, 11 de julho de 2018

Este post é para ti...

"Na verdade, se o espectador quiser fruir de uma obra de arte optando por ouvir o autor sobre ela, não há motivo para não o fazer, assim como tem a liberdade de prescindir da intencionalidade do criador."

A boneca de kokoschka, Afonso Cruz

Sei que ela não vai ler hoje, com sorte, talvez amanhã. Estará ocupada a ajudar alguém?