Leonardo da Vinci, que se definia «homem sem letras», não era um intelectual?
Os que sucumbem e os que se salvam, Primo Levi
Leonardo da Vinci, que se definia «homem sem letras», não era um intelectual?
Os que sucumbem e os que se salvam, Primo Levi
nos países e nas épocas em que a comunicação é impedida, cedo apodrecem todas as outras liberdades; por inanição morre a discussão, alastra a ignorância das opiniões alheias, triunfam as opiniões impostas;
Os que sucumbem e os que se salvam, Primo Levi
Todo o ser humano possui uma reserva de força cuja medida lhe é desconhecida: pode ser grande, pequena ou nula, e só a adversidade extrema dá a possibilidade de a avaliar.
Os que sucumbem e os que se salvam, Primo Levi
Franco costumava dizer: "Livrem-se de judeus, maçons, comunistas e veterinários."
A morte contada por um Sapiens a um Neandertal, Millás e Arsuaga
Não há necessidade de temer a morte, porque quando nós estamos, ela não está, e quando está ela, não estamos nós.
A morte contada por um sapiens a um neandertal, Millás e Arsuaga
Ser imortal é banal; excetuando o homem, todas as criaturas o são, já que ignoram a morte; o divino, o terrível, o incompreensível, é saber-se imortal.
Borges
Já não me lembro onde li o seguinte episódio, ou se mo contaram: alguém está a ler num transporte público, quando ouve uma voz dizendo: «Não mude a página, que ainda não acabei».
O Vício dos Livros, Afonso Cruz
Ler dá trabalho. Essa exigência torna a leitura uma arte activa, mais próxima da tradução do que da fruição imediata, e, talvez por isso, quando funciona, seja tão poderosa: porque é o leitor quem completa a obra. A leitura é uma arte de co-autoria.
O Vício dos Livros II, Afonso Cruz
Há aqueles que não podem imaginar um mundo sem pássaros; Há aqueles que não podem imaginar um mundo sem água; Ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros.
Jorge Luis Borges
Mas a maioria suportou o novo perigo e as novas dificuldades com idêntica indiferença: não se tratava de resignação consciente, mas do torpor baço das feras domadas à pancada, que já não tinham dor.
Se isto é um homem, Primo Levi
Na história e na vida, parece às vezes vislumbrar-se uma lei feroz, segundo a qual «dar-se-á a quem tiver; tirar-se-á a quem não tiver».
Se isto é um homem, Primo Levi
Porém (é por esta sua virtude que ainda hoje a sua memória é para mim querida e viva), não se tornou cínico. Sempre reconheci, e ainda reconheço nele, a rara figura do homem forte e bondoso, contra o qual se quebram as armas da noite.
Se isto é um homem, Primo Levi
A faculdade humana de cavar um nicho para si, de segregar uma carapaça, de levantar à sua volta uma ténue barreira de defesa, mesmo em circunstâncias aparentemente desesperadas, é espantosa e merece-ria um estudo aprofundado.
Se isto é um homem, Primo Levi
Se eu tivesse de escolher entre a dor e o nada, escolheria a dor.
Palmeiras Bravas, William Faulkner
Contudo, os actores aceitaram a minha sugestão com uma certa reserva, o que é compreensível, pois é sempre mais cómodo mantermo-nos passivos e queixarmo-nos de que as decisões são tomadas sem termos sido ouvidos, do que ter uma parte da responsabilidade a recair sobre nós.
Lanterna Mágica, Ingmar Bergman
Olho para a bandeira
Com a mão no coração
Pudéssemos nós vencer
Estas guerras (pelo menos uma) que gostamos
Tanto de começar
Leonard Cohen
Religião, professores, mulheres, drogas, viagens, fama, dinheiro... nada me excita e alivia tanto do sofrimento como escurecer páginas, escrever.
Leonard Cohen
Se este medo da sexualidade tinha penetrado em nós, crianças, através da pele, então ele pairava com certeza no nosso quarto como um gás venenoso, invisivel. Mas a verdade é que ninguém nos dissera nada, não houve nenhum aviso, nem sequer nos meteram medo com aquilo. Desconhecia se o que me atingira tão desapiedadamente era uma doença ou uma obcecação, já que se repetiu continuamente, a bem dizer como uma imposição.
Lanterna Mágica, Ingmar Bergman
Muitas pessoas gastam dinheiro que não têm, para comprar coisas que não precisam, para impressionar pessoas de quem não gostam.
Apesar de a minha melancolia ser inata, nunca pude tomar nada verdadeiramente a sério, nem sequer os próprios desgostos, e há momentos em que duvido que a vida tenha mais realidade do que o que escrevo.
Lanterna Mágica, Ingmar Bergman
Por mínimo que seja o que um homem possua, sempre descobre que pode contentar-se ainda com menos.
Bukowski
No meu trabalho exijo sossego, ordem, afabilidade, porque só assim é que poderemos aproximar-nos de algo que é ilimitado.
Lanterna Mágica, Ingmar Bergman
Toda a educação que eu e os meus irmãos recebemos estava praticamente baseada em conceitos relacionados com pecado, confissão, castigo, perdão, indulgência, conceitos comuns nas relações entre pais e filhos e para com Deus.
Ingmar Bergman, Lanterna Mágica
Simonsohn demonstrou que os técnicos que tratam das admissões à universidade prestam mais atenção aos atributos académicos dos candidatos em dias nublados e são mais sensíveis aos atributos não académicos em dias com mais sol. O título do artigo onde ele apresentou estas descobertas é bastante memorável: "As Nuvens Tornam os Marrões Bonitos".
Ruído, Daniel Kahneman
Os poetas são, em geral, maus prosadores porque as suas imagens, embora belas em si mesmas, não vêm a propósito, e não fazem avançar a argumentação.
Do prazer de odiar, Wiliam Hazlitt
Não é que gostemos do que detestamos; mas gostamos de alimentar o nosso ódio e de brincar com ele; remoê-lo. exasperar a ideia que fazemos dele em cada exemplo de requintado engenho e em cada ilustração extravagante, fazer dele o nosso bicho-papão, apontá-lo aos outros em todo o esplendor da sua deformidade, incorporá-lo nos sentidos, estigmatizá-lo pelo nome, engalfinhar-nos com ele em pensamento, aguçar o intelecto, armar a nossa vontade contra ele, saber o pior com que temos de lidar, e lidar com ele até ao fim. A poesia é só a mais alta eloquência das paixões, a mais vívida forma de expressão que pode ser dada à nossa convicção seja do que for, deleitoso ou doloroso, mau ou digno, agradável ou perturbador.
O prazer de odiar os outros, William Hazlitt
“Duas coisas enchem a mente de admiração e respeito, novos e crescentes: o céu estrelado e a lei moral dentro de mim.”
"não acredito que o grande relógio da catedral [de Königsberg] realizasse a sua função diária de uma maneira mais desapaixonada e metódica do que Immanuel Kant.
Filosofia para Pessoas com Pressa, Lesley Leven
A poesia é a língua universal com que o coração fala à natureza e a si mesmo. Quem despreza a poesia não deve ter muito respeito por si mesmo, ou por coisa nenhuma.
Do Prazer de Odiar e Outros Ensaios, William Hazlitt