Não é que gostemos do que detestamos; mas gostamos de alimentar o nosso ódio e de brincar com ele; remoê-lo. exasperar a ideia que fazemos dele em cada exemplo de requintado engenho e em cada ilustração extravagante, fazer dele o nosso bicho-papão, apontá-lo aos outros em todo o esplendor da sua deformidade, incorporá-lo nos sentidos, estigmatizá-lo pelo nome, engalfinhar-nos com ele em pensamento, aguçar o intelecto, armar a nossa vontade contra ele, saber o pior com que temos de lidar, e lidar com ele até ao fim. A poesia é só a mais alta eloquência das paixões, a mais vívida forma de expressão que pode ser dada à nossa convicção seja do que for, deleitoso ou doloroso, mau ou digno, agradável ou perturbador.
O prazer de odiar os outros, William Hazlitt
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