Autoretrato

(Todos os poemas em baixo são da minha autoria. Espero que gostem.)

Verdades do Não Dador

Quero o meu coração
Quero mesmo muito
Num golpe fortuito,
Num segundo
Acabava o mundo.
Anos e anos
Os dois
Os melhores amigos.
Para depois
Como inimigos,
Sentidos,
Nos separarem
Nos mal tratarem
Nos amordaçarem
Sem alma,
Com vil palma.
Somente a saudade
Ficava.
Dos dois juntos
Que afinal
Se amavam
Se amarravam
Se misturavam
Com loucura.
Indiferentes
Ao momento
E ao tempo.
Que só sabiam
Viver assim.
Que do pó
Têm horror
Que da cinza
Têm pudor
E que precisam
De estar juntos.
Que se amam
E amarão.
Até que a morte
Só a morte
Os matará
Juntos.
Desde o primeiro segundo,
Até ao fim do mundo.

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Desculpa

Nunca acreditei em ti,
Nunca te respeitei,
Nunca te culpei,
Jamais te julgarei.
Fizeste o teu trabalho,
Como sempre fazes...
Julguei ter-te na mão.

Empedernido, fizeste-me acreditar
Que tudo se resume a segundos,
A milésimos de segundo.
Como uma chama que pode causar dor,
Ou simplesmente apagar-se,
Omipresente, tu decides:
Sozinho.
Posso tratar-te por tu?
Agora, somos íntimos.

Estás sempre presente.
Em todas as horas,
Em todo o empenho,
Em todo o trabalho, 
Em todo o amor,
No tempo do tempo.

Chamam-te outras coisas,
Desalinhados, como eu fui:
Sorte, engenho, azar, fatalidade.
De todas te ris porque foste tão simples,
honesto, desapegado, desumano e cruel.

Sei agora que:
Um beijo mais prolongado, 
Um abraço mais apertado, 
Um carinho mais sentido, 
Um orgasmo mais vivido,
Me tinham poupado
À queda!

Ironicamente,
Podemos chamar-lhe assim,

Porque foi exactamente:
Assim: à queda.
Sem metáforas, sem conotações.
Mas com muita ironia do...
Chamam-lhe destino.
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Poesia-me
Poesia-me.
Faz de mim o teu soneto,
A tua melhor rima,
Aumenta a minha auto-estima

Poesia-me sempre.
Utiliza a tua ironia,
O teu sarcasmo,
O teu melhor pleonasmo

Poesia-me bem.
Acredita no passado,
Hiperboliza o nosso amor,
Brinca com a nossa dor

Poesia-me à vontade.
Afaga as sílabas, escolhe cada palavra,
Faz da conjugação a tua amada,
Torna a pontuação tua aliada, 

Poesia-me mais e mais.
Mais que muito, mais que tudo,
Grita a metáfora que tens dentro de ti,
Torna-me o poema que nunca li

Poesia-me demais.
Torna-me humano, desalinhado, 
Sonhador, obstinado, 
Mortal e apaixonado.
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Cárcere
Não durmo cansado, é irónico
Não fujo do cárcere, é icónico
Não sofro com dor, é tramado
Persigo o futuro do passado

Sem vida não vivo, é concreto
Sem chama não amo, está correto
Sem luz não levanto, um cabelo
Sou mais lambuzado do que, um selo

Ninguém na vanguarda, é perigoso
Ninguém faz de mim, temeroso
Ninguém me mapeia, o destino
Sou um anjo ou sou um cretino?

Não faço a pergunta correta
Sem ela não alcanço a meta
Ninguém me vai dar a razão
A resposta está no meu coração
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Já tinha saudades

Já tinha saudades de ti que me lês,
Que me esperas na próxima pausa
e que lambes o dedo da imaginação
como se mais uma palavra 
fosse o sopro de vida que te falta, 
Que te inquieta,
Que te esmaga por dentro 
e que azula as tuas veias como uma doença
que não tens mas que sentes ter,
sem fôlego.

Já tinha saudades de ti que me consolas,

que me percebes e escreves e pensas
o que queria ter sentido,
O que faz sentido desde que te conheci
e me entreguei sem rede
por nada e por tudo, sem nada e com todas 
as coisas que preciso para ser eu,
Perspicaz. 

Já tinha saudades de te encontrar aqui.

Já tinha saudades de ti.
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Variações em amor menor

O amor não vincula ninguém,
não se pede, não se exige:
ninguém é obrigado a amar.
A razão encolhe os ombros,
pensa sobre o amor,
trata-o como um irmão mais novo,
irresponsável, imaturo.
O amor não é assim, tão altruísta.
Por incrível que pareça
não sente pela razão,
não a ama, não lhe diz nada,
é-lhe indiferente,
passa-lhe ao lado.
Paradoxalmente, nariz empinado,
é mais objetivo, mais orgulhoso,
mais cheio de si (amor próprio).
Ama. Monopoliza. Arde. Sufoca.
Pragmático,
faz o que tem a fazer.
E fá-lo bem... e sabe bem...
E é bom, muito bom.
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A caminho de Damasco

O tempo voa e eu não voo com ele
Os dias passam e não amanheço
A noite cai e estou-me a vestir
As relações são um adereço,

Sofro demais por coisa nenhuma

Chamo o criado e nada lhe peço
Confundo o tempo com o seu contrário
A vida passa e não me conheço,

Acordo lendo uma triste missiva

Não me recordo da noite passada
Solto os comboios nas linhas do tempo
Sempre fui tudo e agora sou nada,

Caminho assim sem eira nem beira

Tento fugir das marcas da estrada
Caio da sela e chamo-me Saulo
Mudo de vida e aceito a chamada.
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Nônô
Hoje brinco contigo,
Hoje pego em ti,
No teu sorriso,
Nos teus caracóis,
Na ternura que exalas quando:
falas, brincas, corres, vives.

Quero ser o teu modelo,

O teu espelho,
O teu super-herói:
Que pode tudo,
Que sabe tudo.

Quatro anos não é coisa pouca,

Para mim não é.
Sou um pai de rebuçado,
de algodão doce,
de gelado cor-de-rosa como tu gostas.

Encheste a minha vida

e a vida da mamã.
Estás a fazer um bom trabalho.

O teu sucesso é o nosso sucesso.

Não tenhas medo de errar, faz parte.
Arrisca.
Tira as rodas da bicicleta e
enfrenta os desafios,
supera as dificuldades,
nunca desistas.
Nós vamos estar, sempre, aqui...
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Engano
Enganei-me:
peço desculpa, enganei-me!
Furtei-me ao destino,
Ainda sou aquele menino,
Que brinca ao berlinde e
que pensa a vida como um todo:
feliz, simples, transparente,
quente e eterna.

Enganei-me, peço desculpa,

Enganei-me!
Ainda uso bibe, 
Ainda não cresci, 
Não vivi o suficiente.
Verdadeiramente,
Ainda não sofri.

Enganei-me, desculpa,

Enganei-me!
Ainda sou um petiz, 
Que precisa do passado,
Que adora estar do teu lado
porque te acho feliz,
simples, transparente,
quente e eterna...
como a vida que vivi.
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Dicotomias
O silêncio pode ser ensurdecedor.
A loucura pode ser saudável.
A cura pode estar na dor.  
O forte pode ser vulnerável. 

A riqueza pode ser pobreza.

O abismo por ser o céu.
A alegria pode ser tristeza.
O inocente pode ser réu.

O caminho pode ser passado.

Uma cruz pode ser amuleto.
Um ditado pode estar errado.
O branco pode ser preto.

A vida pode ser sorte.

Uma arma pode ser segurança.
O remédio pode ser morte.
O amor pode ser lembrança.
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Fim
Já não consigo rimar, estou cansado,
Já não consigo mudar, estou mudado.
Engoli toda a dor que cingi no caminho,
Lamento mas sinto-me um pouco sozinho.

Já não consigo escrever, estou atado,

Já não consigo ser eu, estava errado.
Procuro no amor e em ti o tempero,
Do meu bloqueio e do meu desespero.

Já não consigo sentir, fui sentindo,

Já não consigo dormir, só mentindo.
A noite é capaz de esconder o destino,
Sou mais violado que a corda de um violino.

Já não consigo compor, já compus,

Na alma, no corpo, no escuro e na luz.
Com esforço ainda vislumbro a razão,
Ainda estou vivo às expensas do meu coração.
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Luz
Estou cansado mas não cedo,
Estou em baixo mas estou ledo.
Tenho a luz no meu caminho,
Somos três não estou sozinho. 

Cada pedra é mais um passo, 

Estou de pé no teu regaço.
Compro a fé na escuridão,
Lado a lado, mão na mão. 

Cada gesto é um sorriso,

Cada olhar um paraíso. 
Já te levo bagagem,
Somos três nesta viagem.

Quero mais um viajante, 

Quatro é bem mais interessante,
que traga luz ao meu breu: 
Mais uma estrela no meu céu!
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Dor
Cantei a saudade porque era a verdade.
Trilhei o caminho porque estava sozinho.
Vivi a dor, perdi o amor,
desci ao inferno: eterno.
Comi o pão duro, de cor cinza escuro,
Olhei o passado, fui abençoado,
Fui Diabo e fui Deus entre os meus,
Subi a escada, fui tudo e fui nada. 
Cuspi no abismo, fiz um silogismo, 
Dei um passo em frente, fui só entre a gente.
Rasguei todo o medo, fui triste e fui ledo.
Matei os meus réus, subi aos teus céus.
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Momento

Não sei se estou triste,
se sou triste.
A vida é feita de momentos,
bons, maus, de azar, de sorte:
a vida é a matemática da morte.

A sorte da decisão,

do momento,
Pode sair do coração 
e mudar qualquer contratempo.

Nos momentos há decisões,

encruzilhadas, duas estradas.
A poesia dos momentos
pode ser bela, com metáforas e aliterações,
ironias e comparações.
Mas também pode ter hipérboles,
anástrofes, elipses...

O momento da decisão ou a decisão do momento, 

pode ser fim e início ao mesmo tempo.
Eu não quero ser um momento.
Eu quero ser o momento.
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A.C.

E se não há mais nada?
Se somos apenas corpo, 
Se somos apenas isto:
Pó...
Cinza...
Lembrança...
Uma foto a preto e branco
que alguém se esqueceu de queimar. 

E se nascemos

e depois morremos
e não há mais nada
e acaba tudo. 

E se todo o sofrimento acaba... 

em vão!
E se todas as alegrias são,
só, remendos da existência.

E se não houver mesmo nada, 

e a morte for a portagem desse nada, 
onde as almas são apenas e só
mentiras do tudo que foi tudo e que agora é nada.

E se não houver mesmo nada,

e se não nos encontrarmos em qualquer lugar,
acredita que te amei desde o primeiro momento,
que foste tudo pelo menos para mim,
e que desejo ardentemente ter sido tudo para ti,
e o nada do nada nunca poderá apagar isso. 
Amo-te.
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Portugal
Afonso não bateu na mãe,
Adamastor deixou ir mais além.
Moniz não foi esmagado,
Pombal não estava errado. 

José nunca reinou,

Sócrates nada roubou.
Sá Carneiro não foi acidente,
João IV não estava doente.

O Galo não foi verdade,

Fátima não foi milagre.
Inês não morreu de paixão,
Isabel não transformou o pão.

Nuno vendeu as espadas,

Salazar tinha namoradas,
A Sebastião ninguém o vira,
Portugal é uma mentira!
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Demência

Os fantasmas da alma são criações minhas!
São espelhos redondos com dúzias de linhas
São pássaros brancos que enchem a mente
São lírios acesos na alma da gente

São traços ardentes turbando a visão

São rios de lava dentro do coração
São pregos cravados no alto da cruz
São bichos nocturnos que cegam à luz

São medos cuspidos da voz do cantor

São traços a cinza na mão do pintor
São chagas no céu que o inferno nos traz
São sombras intensas na caverna onde estás

São murros no estômago são pó são algemas

São traumas profundos, violentos dilemas
São ervas daninhas em lugar de vinhas:
Os fantasmas da alma são criações minhas!
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Bola de Sabão
Sinto o silêncio nas veias
cada vez que, sozinho, procuro a razão
pela qual somos apenas o que somos:
um capricho do universo,
uma birra da existência,
que insiste em pensar que é mais importante do que verdadeiramente é, 
e que, por isso, comete todo o tipo de desumanidades 
quando julga poder
eternizar-se.

Para o universo somos menos que uma bola de sabão, muito menos. 

Quem nos dera ser uma bola de sabão.
Eu queria ser uma bola de sabão.
A verdadeira sabedoria está em perceber que nunca chegaremos 
perto da existência de uma bola...
de sabão!
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Excitare

De manhã acordo e pareço mudo,
com falta de sono, tenho falta de tudo:
Os vidros da alma estão todos partidos,
A luz da manhã fere-me os ouvidos,
A noite foi longa ainda ouço gemidos!

Saio porta fora e fumo um café,

Sento-me no palco do Cais do Sodré:
Recebo o ardina com notícias más,
O mundo em guerra e eu sem a paz,
O azul é preto, o verde é lilás!

Depois da torrada chega a melodia,

De Chopin ou Schubert parece outro dia:
A minha cabeça já não é passado,
A raiva do mundo foi para outro lado,
Saio e pago a conta com o olhar transformado.
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Velha
Vi uma velha, cheia de velha,
Cara de rugas, olhos de menina.
Bege carranca, branco gadelha,
fedor a preto e a naftalina.

Já fora nova, cheia de nova,

fogo no rosto, luz no olhar.
Agora dormia, sentada na cova,
Caronte virá para a abraçar.

O espectro da velha, fez-me pensar,

tirou-me a paz, roubou-me a calma.
Tudo apodrece, menos o olhar,
porque ele é o espelho da alma!
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P(ó)S

Por-que tenho o destino na mão,
Por-que caio espancado no chão?
Por-que sou um coração a bater,
Por-que a alma me está a doer?

Por-que uso mal a liberdade,

Por-que valorizo a palavra: saudade?
Por-que tenho um cérebro deste tamanho,
E um esqueleto de barro castanho?

Por-que choro sem sentido e procuro,

A verdade na mentira e no escuro?
Por-que penso que sou mais do que pó,
Por-que procuro gente quando quero estar só?

Por-que vou ao abismo buscar o céu,

Por-que assumo a culpa e me torno réu?
Por-que transpiro dor e não tenho paz,
Por-que sou um valete e me acho um Ás?

No passado nunca fui importante.

No futuro serei um mísero instante?
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Linha da Vida

Já que cheguei aqui: continuo.
Já que sonhei assim: efabulo.
Dentro de mim existe: paixão,
Tenho pavor de usar a razão.

Nunca fui o senhor de mim

Era o princípio, o meio e o fim.
Criei um abismo no coração, 
Sigo em frente ou em contramão?

O meu e o teu são os dois iguais:

São fados malditos, como outros que tais.
Serão sempre assim cravados na cruz 
Até a tormenta sucumbir à luz!

Já que nasci assim: aceito.

Nato na alma, no corpo e no leito.
Agrilhoado na solidão,
Com o caminho escrito na mão.

Daqui a Marte farei o destino,

Já não sou mais aquele menino.
Que tinha medo do mundo mundano,
Sugarei a vida até ao tutano.
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O tempo do tempo

Queria andar quando não andava,
Queria falar quando não falava,
Queria saber o que não sabia,
Queria fazer o que não fazia,

Sonhei ter antes de ser...

Dei valor a momentos vãos.
Perdi segundos a tentar parecer
Julguei-me só com cinza nas mãos.

Queria estar onde não estive

Queria sentir o que não senti,
Queria ter o caminho livre
Queria viver mas não consegui.
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Venho de viagem mas tu vens comigo. 

Trago-te no peito, és o meu abrigo. 
Durante o caminho lembro-me de ti,
tudo faz sentido contigo aqui.

A ponte que temos une mais as margens.

Sou um peregrino com estas viagens. 
Devolvo ao universo tudo o que me deu,
termino o caminho mais perto do céu.

Bebo a paisagem, como a natureza:

pinto uma aguarela com sua beleza.
Fujo do abismo, rasgo a solidão
consolo o espírito, saro o coração.
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GRão

Sei que tu sabes que eu sei,
que a vida nem sempre é justa
Mas que no final, haverá um lugar
onde tudo fará sentido.

Penso que tu pensas que eu penso

que perder por vezes é ganhar
Que ser, muitas vezes chega
E que a paixão pode ser eterna.

Sinto que tu sentes que eu sinto

que não vale tudo, aliás, tudo é pouco.
Somos um pequeno grão de areia,
Na grande pegada do universo.

Gosto que tu gostes que eu goste

das mesmas coisas, dos mesmos lugares,
do mesmo sorriso, do mesmo olhar.
Da escada que entra no teu entendimento

Amo que tu ames que eu ame

a natureza, cada ser, cada lugar.
O coração é o mais poderoso dos sentidos,
Porque vê, ouve, cheira, prova e sente...
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Dies

Nasci chorei bebi calei
Vesti dormi acordei berrei
Comi, cresci, aprendi, sonhei,

Amei, fodi, casei, eduquei,

Trabalhei, sofri, resisti, errei,
Vivi; envelheci; cansei; morri.
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Metamorfose

A solidão aconselha,
A almofada ouve, 
A lua escuta, 
O silêncio elucida, 
A cama descansa

Tudo à noite me transforma,

Me dá domínio, poder,
Metamorfose?

E se ouço um som, um gemido, uma lágrima:

Desço mais abaixo, mais profundo,
Mais dentro do Universo que sou eu

Sonho, acordo e existo.

Mais eu, ainda assim, apenas eu
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Indiferença


É-me indiferente a maldade, porque busco clemência.

É-me indiferente a inveja, porque consigo dar o meu lugar.
É-me indiferente a mentira, porque procuro a verdade.
É-me indiferente a dor, porque controlo o tempo.
É-me indiferente a culpa, porque posso perdoar e ser perdoado.
É-me indiferente a solidão, porque caminho na turba.
É-me indiferente a mediocridade, porque busco a perfeição.
É-me indiferente a cegueira, porque almejo ver mais claramente.
É-me indiferente o ódio, porque posso amar incondicionalmente.
É-me indiferente a morte, porque arrisco viver intensamente.
É-me indiferente a felicidade, porque é parte de mim.
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A morte calça sapatos de vela


A morte calça sapatos de vela

Via na estrada, passei por ela!
Olhou para mim, cara amarela,
Vestia preto, estava singela. 

 A morte calça sapatos de vela

Tinha camisa, de flanela,
Saiu à rua, não viu novela,
Estava calor, lá na viela. 

 A morte calça sapatos de vela,

Como um pintor, pinta uma tela
O seu retrato, qual aguarela,
Era robusto, qual aduela. 

 A morte calça sapatos de vela,

Ao meio dia, não viu estrela,
Perto de si, não vi cadela,
Estava sozinha, a sentinela.

A morte calça sapatos de vela.

A morte calça sapatos de vela!
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Maria


Escrevo e lembro-me de ti.

Respiro e lembro-me de ti.
Vivo e lembro-me de ti.
Em tudo, 
Em cada coisa,
Em cada gesto, 
Lugar, 
Situação, 
Lembro-me de ti.

Desde o primeiro momento, 

Lembro-me de ti.

Tenho medo de morrer, 

Por ti. 
Tenho medo de falhar, 
Por ti.

Um dia perceberás o tamanho do meu amor.

Tudo, por ti. 
pp

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