domingo, 10 de junho de 2018

Estamos a falar de tostões... nano Corrupção.

"Entre as centenas de escutas telefónicas do apito dourado, há, pelo menos, duas particularmente interessantes, não do ponto de vista da grande corrupção desportiva, mas como indicadores sociológicos da pequena-média corrupção, de como este fenómeno pode estar tão entranhado no futebol que não há Justiça que lhe valha para retomar os padrões mínimos de ética e de verdade desportiva.
Um dos casos passou-se na época 2003/2004, num jogo para os quartos-de-final da Taça da Associação de Futebol de Braga. Em campo, as equipas do Gandarela e Arco de Baúlhe. Ao intervalo, o árbitro do jogo telefonou para um dirigente do Baúlhe, dizendo-lhe que já tinha avisado os seus jogadores para procurarem o contacto físico com o adversário: "Ó pá, tens que te enrolar com ele, caralho! Não é encostares-te a ele e deitares-te." Apesar da táctica, o Gandarela ganhou o jogo por 1-0. A frustração estendeu-se dos jogadores ao árbitro, que no fim do encontro desabafou com o mesmo dirigente: «Doze minutos que dei [período de compensação]. Nem assim.»"

Carlos Rodrigues Lima, Revista Sábado

A minha visão desapaixonada e o meu médio/bom, por vezes pequeno, coração consegue encontrar várias coisas positivas no relato:

1) O árbitro queria cumprir o trabalho para que foi pago o que, nos dias que correm, não é normal. Se fosse funcionário de uma empresa, seria um bom funcionário.
2) Chamar pequena-média corrupção a um jogo entre Arco de Baúlhe (freguesia de Cabeceiras de Basto) e Gandarela (freguesia de Celorico de Basto) é um elogio às equipas envolvidas.
3) Os jogadores da equipa Arco de Baúlhe ou não sabem fingir faltas, ou não foram informados da tramóia. Ambas são boas mas, sendo a segunda verdadeira, o corruptor queria que eles acreditassem no se valor, subindo-lhes a auto-estima.
4) No final, fez-se justiça, ganhando a equipa do concelho de onde (curiosamente) é natural o PR Marcelo Rebelo de Sousa.

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