segunda-feira, 24 de abril de 2017

Ficção ou Realidade

"Só em novelas", "é muito filme", "no cinema também acontece isso" são expressões que usávamos diariamente com alguma apropósito sobre os mais variados assuntos, para os classificarmos de inverosímeis, inverdadeiros ou ficcionais.
Porém, nos últimos tempos, temos levado com um banho de realidade brutal: a ficção tem-se tornado o parente pobre da realidade. Desta forma, as acções humanas ficaram tão repugnantes, maléficas e monstruosas que ultrapassaram em maldade a mais prodigiosa imaginação de qualquer argumentista.
Os telejornais são "churrilhos" de notícias sobre assassinatos conjugais, bombardeamentos de cidades, uso de armas químicas em crianças, roubo de milhões sem culpados, naufrágios sucessivos e sem fim à vista no mediterrâneo, testes com armas nucleares. 
Estas situações aconteceram, também, no passado. Na última grande guerra foram cometidos actos iguais ou piores. Desde esse conflito vivemos, em toda a Europa e em grande parte do Mundo, décadas de relativa tranquilidade e segurança. 
O que mais me apoquenta é a crescente insensibilidade para com estes acontecimentos de cidadãos e governos. Olhamos para a imagem de uma criança morta numa praia, plasmada na página de uma jornal e... tudo bem? Conseguimos almoçar na mesma, sair à noite, cantar uma canção de embalar aos nossos filhos, dar uma corrida, fazer amor?
Será esta insensibilidade um mecanismo de defesa, uma transformação civilizacional, uma automentira caridosa, uma alienação de grupo ou a pista de que o fim da civilização como a conhecemos pode estar perto e que, sem dor, o ser humano não se poderá reinventar?




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